O Rock’n’Roll e o Surf da lendária década de 60 está de volta.

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Maxime II


"Querem trazer de volta o espírito dos bailes dos anos 60, em que uma banda não ia dar um concerto, ia fazer dançar. É vê-los no Maxime. Rodrigo Nogueira falou com Os Tornados

São seis e parece que saíram da capa de um single de 45 rotações dos anos 60. Mas não. Saíram do Porto, em plenos anos 2000. Vestem fatos impecáveis, feitos à medida, sempre a condizer. Tocam rock’n’roll à antiga, com surf, garage e ié-ié pelo meio. E, pode parecer uma contradição, mas talvez não fosse possível Os Tornados existirem noutra década.
Hoje temos a RTP Memória, a internet e uma cultura que gosta de ir atrás do que veio antes. Mais: em que o que veio antes está disponível. Que aquelas bandas portuguesas dos anos 50 e 60 que só lançaram um simples single ou um EP e depois desapareceram não precisam de ser encontradas no baú do sotão lá de casa ou na Feira da Ladra. Moram à distância de um clique. E é só escolher o que se quer ouvir ou emular e pimba, está à disposição de quem quiser. Como é de música portuguesa que se trata, outra grande fonte são as compilações, apenas em vinil, Portuguese Nuggets. Sem a cultura de reedições, não seria muito fácil para Os Tornados terem como influência Os Tártaros, Daniel Bacelar, Vítor Gomes, Conjunto Académico João Paulo ou o Conjunto Hi-Fi.

Tudo começou há mais ou menos cinco anos. Tiago Gil, guitarra, e Nuno Silva, guitara e voz, juntaram-se e formaram uma banda. Sem planear, foram tocando e de repente saiu “Dança Aí”, segunda faixa de Twist do Contrabando, o álbum de estreia d’Os Tornados. Souberam logo que o som da canção, o som “dos sixties” (é assim que Nuno Silva se refere à década), era o som que queriam. Na altura ainda se chamavam Contrabando, depois transformaram-se em Conjunto Contrabando. Chega-se a 2009, são seis, a média de idades ronda os 30 anos e chamam-se Os Tornados.

Os fatos que envergam são feitos à medida – há marcas diferentes a trabalhar com eles para os fatos, as camisas, as gravatas e os sapatos – e inspirados em capas de álbuns antigos, fruto de uma pesquisa. Segundo Nuno, “só música hoje em dia (e acho que sempre) não chega e as bandas não só de rock’n’roll mas de soul e de funk nos sixties também usavam fatos, achamos que isso contribui para o espectáculo”.

Não têm nada, dizem, contra o mundo moderno. Mas confessam que até gostavam de ter nascido nos anos 40 e vivido os anos 60. Tiago, que cresceu a ouvir punk rock, mostra por quê: “Adorava ter estado presente naqueles bailes académicos e não só, em que bandas fantásticas davam concertos espectaculares só para entreter as pessoas, que iam para dançar como se calhar vão hoje em dia a uma discoteca. Só que em vez de DJ era com banda. Os meus pais recordam-se desse tempo, quando tinham 20 anos e podiam ir a um baile, era quase como conseguir a independência. Mas Nuno adverte: “não sei se gostava de ter vivido isso cá em Portugal, por causa do regime, mas se pudesse ouvir o rock’n’roll pela primeira vez, ver o Chuck Berry, os Beatles, o Link Wray ou o Elvis em matinés, adorava”. Não é um baile nem uma matiné, mas prometem, para o Maxime, esta sexta, um “grande abalo sonoro”. Um tornado, no mínimo."


(Retirado do Site: http://www.timeout.pt/news.asp?id_news=4229 )

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